Lembranças do memorável jogo de Kigali

O dia de amanhã, 8 de Outubro, representa uma data memorável para o futebol nacional. Reza na na história que foi numa data semelhante a esta e isto há mais concretamente 14 anos que a Selecção Nacional de futebol.

O dia de amanhã, 8 de Outubro, representa uma data memorável para o futebol nacional. Reza na na história que foi numa data semelhante a esta e isto há mais concretamente 14 anos que a Selecção Nacional de futebol de honras, na altura treinada por Luís de Oliveira Gonçalves, alcançava uma espinhosa vitória diante da congénere do Rwanda, em pleno Estádio Amahoro, em Kigali.A qualificação dos Palancas Negras ao Mundial que teria lugar entre Junho e Julho do ano seguinte, na Alemanha, foi obtida na altura graças a um golo de Fabrice Alcebíades Maieco “Akwá”, o até agora goleador-mor de todos os tempos do conjunto.
O menino prodígio de Benguela, que capitaneando a Selecção Nacional, foi também, na época, autor do golo angolano que abriria as hostilidades deste percurso iniciado em Ndjamena, capital do Tchad, frente ao combinado local.
A confirmação da qualificação inédita ao Mundial de 2006, que a Alemanha albergara, ocorreu aos 80 minutos do histórico jogo entre o Rwanda e Angola. O então capitão dos Palancas Negras após receber um cruzamento da direita de Zé Kalanga bateu como uma cabeçada perfeita o guardião Ramadhani, que só teve a possibilidade de ir buscar os esférico já nas malhas de fundo da sua baliza.
O golo de Akwá silenciara, por completo, os milhares de adeptos rwandeses presentes no Estádio Amahoro (Liberdade, na Língua de Camões), que esperavam ver estragada a festa da qualificação ao Mundial.
Nessa caminhada, depois dos jogos da primeira e segunda “mãos” da preliminar de acesso à fase de grupos das eliminatórias para o Campeonato Africano das Nações (CAN) e Mundial, diante do Tchad, em Ndjamena, Angola iniciou a marcha histórica. Após eliminar o Tchad no acesso aos grupos africanos, o combinado nacional cumpriu um ciclo de dez jogos, que culminou entãocom a qualificação ao Mundial da Alemanha.
Os Palancas começaram a fase de jogos da qualificação com um empate nulo, no reduto da Argélia, num duelo em que além do adversário enfrentaram uma arbitragem inclinada a favor da equipa da casa. Seguiram-se um triunfo intramuros de 1-0 sobre a Nigéria, com um golo espectacular do “inevitável” Akwá, e outro empate – mas a duas bolas – diante do Gabão, fora. Posteriormente, nos outros duelos da primeira volta da campanha, disputados em casa, a Selecção Nacional obteve triunfos sobre as similares do Rwanda e do Zimbabwe, curiosamente por 1-0.
A equipa nacional liderava, assim, o primeiro turno da campanha sem precisar de vitórias expressivas. Foram sempre triunfos por marcas tangenciais.
No retorno à competição, na segunda volta, os angolanos deslocaram-se a Harare e baquearam aos pés dos zimbabueanos, perdendo por 0-2, naquele que foi o único desaire que o conjunto conheceu nessa dupla corrida para o Mundial e o CAN de 2006.
Após o desaire de Harare, os Palancas Negras regressaram aos triunfos, desfeiteando a similar da Argélia por 2-1, na antiga catedral do futebol nacional, o Estádio da Cidadela.
Depois deste jogo de Angola com a formação do Magreb seguiu-se um empate a uma bola diante da Nigéria. Neste duelo com as “Super-Águias”, o internacional angolano Figueiredo foi o grande herói ao apontar o golo da igualdade para os Palancas, em pleno Estádio de Kano, reduto da formação adversária. Este resultado acabou por espevitar a esperança de a equipa nacional atingir o desiderato da qualificação ao Mundial.
Daí não foi de estranhar a vitória seguinte, em casa, sobre a similar do Gabão por 3-0 e que antecedeu a viagem triunfal para o Rwanda, Kigali, onde a 8 de Outubro de 2005, aconteceria a memorável qualificação ao Alemanha-2006.
Nessa corrida à Alemanha, o então seleccionador nacional utilizou 27 jogadores, tendo o “keeper” João Ricardo e os defesas Jamba e Yamba Asha sido os únicos totalistas dessas eliminatórias que serviram de apuramento simultâneo para o Mundial e CAN.Os três jogadores, recorde-se, totalizaram 900 minutos nos dez (10) jogos em que a Selecção Nacional interviu para essa dupla corrida.
Akwá confirmou, também, nos sete jogos que efectuou, para a dupla campanha de apuramento ao CAN e Mundial de 2006, o seu estatuto de goleador-mor dos Palancas Negras, apontando quatro dos doze golos, que o conjunto totalizou.