Balsa arrombada facilita estreia feliz do campeão

Interclube obriga 1º de Agosto a mudar sistema de jogo para evitar o desperdício de pontos no início da corrida ao título

A vitória (1-0) do 1º de Agosto diante do Interclube, ontem no Estádio Nacional 11 de Novembro, na estreia no Girabola 2020/21, ficou associada ao erro de Balsa, jovem defesa central dos polícias, que ao falhar a recepção da bola deixou o hondurenho Moya com caminho livre para violar a baliza à guarda de Ndulo.
Graças a um rombo na “balsa”, aos 57 minutos, os tetra-campeões nacionais evitaram o desperdício de pontos no jogo de estreia, a julgar pela produção ofensiva da equipa às ordens do português Paulo Duarte, muito aquém do prometido na véspera, em função do adiantamento na preparação, por força da presença nas Afrotaças.  
Apesar da combatividade do meio campo, coordenado no primeiro tempo por Herenilson e Mário, os militares voltaram a evidenciar falta de segurança na posse de bola e qualidade na transição ofensiva, pecha que levou a formação do Rocha Pinto, orientada pelo português Ivo Campos, a acreditar que era possível conquistar mais do que o empate.  
O favoritismo atribuído aos donos da casa, na projecção da partida, ficou diluído no papel, porque a prática mostrou duas equipas equilibradas, não obstante o relativo ascendente dos rubro e negros. Neblu, titular na baliza no arranque da época, foi chamado a fazer defesas de recurso, de modo a evitar o golo.   
Paty, Kaya, Dasfaa, Jaredi e Wilfreid atarefaram a estrutura defensiva comandada por Bobó, que na ausência do “capitão” Masunguna voltou a contar com a companhia de Bonifácio.   
Pela produção das equipas, a igualdade seria o re-sultado mais ajustado ao jogo vivo, porém marcado pelo desacerto dos militares, obrigados a apresentar me-lhor andamento competitivo. Os polícias registaram mais situações de perigo na área contrária.
 
Treinador orgulhoso  
Ivo Campos era um técnico orgulhoso no final da partida, apesar da derrota, porque o objectivo principal era ganhar.
“Não conseguimos. Volto a citar o que disse ao intervalo aos meus atletas. É um orgulho incrível pôr miúdos dessa categoria a jogar desta forma”.   
Ainda radiante com os pupilos, o timoneiro realçou: “não é qualquer equipa que chega à casa de um tetra-campeão e, a meio da primeira parte, obriga o adversário a mudar de sistema de jogo. Isso quer dizer muita coisa. O primeiro remate do D´agosto foi ao minuto 44”.  
E teve tempo para dar uma injecção de moral a Balsa.
“O golo foi um erro nosso. De um miúdo que brevemente vai ser o melhor central de Angola,  que deve ser protegido. Vai cometer muitos erros, como eu cometi no início da carreira. Agora estou extremamente orgulhoso. Uma equipa com muito carácter. Temos de realçar que temos metade das unidades de treino do 1º de Agosto. Metade do ritmo competitivo. Vir jogar desta forma, só mostra que somos grandiosos”.
 
Confissão de culpa
Sem rodeios, Paulo Duarte assumiu o enguiço da equipa, à semelhança da análise feita à primeira parte do jogo frente aos sul-africanos do Kaizer Chiefs, há uma semana, em Joanesburgo.  
“Foi um jogo difícil. Contra um adversário bem organizado. Que conseguiu acreditar que era possível marcar ao 1º de Agosto. Não entrámos. Não conseguimos mais uma vez ter a bola. Essa tem sido a nossa maior dificuldade. Entrámos numa fase de al-guma ansiedade, face à responsabilidade da Champions League. Estamos algo ansiosos. A cometer o mesmo erro. Não ter muita bola e a falhar passes constantemente”.  
A avaliação do substituto do bósnio Dragan Jovic teve o acento tónico nos erros colectivos.
“O adversário não nos rouba a bola. Nós é quem a entregamos. Sem nenhuma pressão. Estamos a definir mal. Isso pautou um pouco aquilo que foi a primeira parte. Mesmo aos 30 minutos, mudei o sistema de jogo para 4.3.3. Conseguimos nos posicionar melhor. Equilibrar melhor. Na segunda parte, conseguimos ser a equipa que muitas vezes queremos ser e não conseguimos. Não obrigo os jogadores a jogar bem. Obrigo a trabalhar bem”.