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Repensar o desporto

Como uma espécie de reparo crítico às peripécias enfrentadas pelos atletas angolanos que competiram nos Jogos Africanos, que terminaram no fim-de-semana, em Rabat, a jornalista, enviada especial do Jornal de Angola e Jornal dos Desportos, trás a público para reflexão de todos, alguns aspectos negativos que marcaram a presença da comitiva angolana na maior manifestação desportiva do continente.

Como uma espécie de reparo crítico às peripécias enfrentadas pelos atletas angolanos que competiram nos Jogos Africanos, que terminaram no fim-de-semana, em Rabat, a jornalista, enviada especial do Jornal de Angola e Jornal dos Desportos, trás a público para reflexão de todos, alguns aspectos negativos que marcaram a presença da comitiva angolana na maior manifestação desportiva do continente.
Na verdade, vivemos tempos diferentes e difíceis, marcados pela recessão económica, em que quase tudo escasseia. O sector do Desporto foi dos que mais se viu afectado, sobretudo, porque na nossa realidade o desporto é mais um sorvedouro, que outra coisa. Dito de outro modo, não é lucrativo pelo que não é sem razão que os gestores desportivos passam a vida a choramingar.
A participação em provas internacionais, de há algum tempo à esta parte que passou a ser obra de Hércules, a exigir das Federações ou dos clubes esforços adicionais para a criação de condições materiais, logísticas e financeiras que viabilizem a operação. Em situações de maior aperto, a renúncia à participação acabou por ser o caminho mais curto.
Exemplos, temo-los à mão de semear. O Desportivo da Huíla, que foi vencedor da Taça de Angola em futebol, não está nas competições africanas em que devia estar por mérito. Razões evocadas para a ausência: falta de saúde financeira para as obrigações da prova. E, se dedicarmos alguma atenção ao Girabola, é que são elas. É tudo um sermão de lamúrias.
Mas tudo isso não justifica o que se passou em Rabat. As participações em eventos internacionais não podem ser, apenas, para exibição das cores da nossa bandeira. Servem, também, para no plano competitivo elevar o ego, em função dos resultados produzidos pelos nossos atletas. E, isto, nunca será possível enquanto não passarmos a encarar as coisas com maior sentido de responsabilidade.
À guisa de exemplo, estaria o país em condições de exigir resultados à Neide Dias, fundista do 1º de Agosto, que chegou a Rabat atrasada, com bilhete comprado às suas expensas e sem equipamento sequer? Às tantas, fica-se sem perceber que objectivos desportivos persegue o país. É preciso, às vezes, ter a coragem de renunciar algumas participações, quando se sabe, à partida, que as condições não oferecem garantias.