FAF aquece com eleições

Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos. Na modalidade rainha, não é o contrário. Deste modo a Federação Angolana de Futebol (FAF) como das mais representativas do mosaico desportivo nacional, acaba por ser a que mais contas se pedem e se exigem.
Nos dias que correm, há muitas movimentações nos bastidores em relação aos potenciais candidatos que, por detrás da cortina, procuram os lobbies necessários e os argumentos que se impõem para convencer o eleitorado, dos seus propósitos para assumirem a liderança da FAF. Naturalmente que, para os candidatos que ousam em perfilhar, não será tarefa fácil. Será um desafio ingente, que de certeza requererá muita inteligência e perspicácia para atingir o objectivo mor.
Na minha visão, esta luta será frenética e bastante renhida, a julgar pelo interesse e, principalmente, pelo facto de o estado actual do nosso futebol não ser dos melhores e, do mesmo modo, as suas perspectivas serem todavia cinzentas, por razões imensas que, na maior parte dos casos, não se entendem perfeitamente.
Mas, duma coisa é certa, para este ano, as eleições irão aquecer a FAF, muito por culpa de alguns imbróglios que estimulam, que agora se peçam contas de vários dossiers, cujas resoluções ficaram a meio  e, outras, por incrível que pareça, sequer foi alvitrada  a solução. Por exemplo, as justificativas do fracasso do último CAN disputado no Egipto; os balanços da participação da selecção de Sub-17, no Mundial de futebol, os fracassos sucessivos em eliminatórias das nossas selecções, enfim, uma amálgama de assuntos que, todavia, estão pendurados e que, naturalmente, precisariam de explicações detalhadas, por parte do actual elenco do órgão reitor do futebol nacional, para sossegar os espíritos dos agentes e dos aficionados da modalidade, de um modo geral.
Com responsabilidades na organização das provas nacionais e de “cuidar” das selecções nacionais de vários escalões, o actual elenco da FAF demonstrou, ao longo do seu consulado, um cortejo de imbróglios, contradições e incertezas que fizeram com que, involuntariamente, muitos desconfiassem, inclusive de alguns actos produzidos, que por pouco deixavam a própria idoneidade em causa. As incongruências de alguns actos administrativos, a falta de coordenação entre os Conselhos que a compõem; a visível usurpação de competências entre eles, enfim, a falta de harmonia e sintonização dos seus componentes, que provocaram com que muitos dos que faziam parte do elenco, “abandonassem o cavalo na travessia do rio”, ou seja, se demitissem.
Em determinada altura, tudo pareceu perder-se. Mais porque a crise financeira consubstanciada na escassez de recursos financeiros, para sustentar as despesas administrativas e operacionais, provocaram que a funcionalidade das suas estruturas fosse pouco acutilante. Em várias ocasiões, Artur Almeida e Silva veio a terreiro “queixar”, “choramingar” e reclamar da falta de recursos para fazer face às avultadas despesas. A questão dos potenciais parceiros, parcerias, patrocinadores e outros, se punha então.
Com tudo isso, conhecendo todo este quadro; sabendo das dificuldades imensas que existem, com particular ênfase para Artur que se “molha à chuva há bastante tempo”, ele próprio e outros candidatos perfilham e almejam o “apetitoso” cadeirão da FAF. Porque será que esta poltrona é tão apetitosa? Isso de certeza que são contas de outro rosário.
O que está em causa, naturalmente, é sem dúvidas a corrida à presidência da FAF. Artur Almeida é o titular cessante, mas, com imensa confiança de garantir a sua continuidade. Onde afinal reside a confiança que Artur faz transparecer? Quando ele próprio sabe que há “coisas” que tem que explicar e que, ao não o fazer de forma atempada, atrai para si energias negativas e com isso, antipatias e até “mau olhado”, que podem, de alguma forma, se transformar depois, em rejeição generalizada, por parte de alguns associados, aliás serão estes os “juízes” na hora do pleito.
Nestes dias, a grande questão, em vários debates, parece ser os moldes de disputa do Girabola e da “Segundona” que segundo dizem, deve ser revista urgentemente. Na opinião de muitos agentes do futebol, o modelo actual já não tem razão de ser e, se assim continuar, o campeonato nacional da primeira divisão corre riscos de ter apenas cinco a seis concorrentes. Outra questão é sem dúvida a Liga, uma exigência da FIFA. Há condições para a sua implementação ou não? Quem deverá liderar o processo?
Todos esses aspectos configuram, que para as eleições na FAF, haja pelo menos dois a três concorrentes dispostos a travar “combate” acérrimo com “Rei” Artur, que obviamente disputará, “com unhas e dentes”, a sua própria sucessão.
Noves-fora todos aspectos negativos, o presidente cessante da FAF se pode vangloriar por alguns feitos, embora haja agentes que os minimizam e julgam ter sido sua obrigação. A bandeira de vanglória de Artur cinge-se no facto de, no capítulo administrativo, dizer ter conseguido alguns feitos relevantes, principalmente referentes ao licenciamento dos clubes nacionais e, também, o de ter levado a selecção de Sub-17 à um lugar honroso no CAN da categoria e o consequente apuramento e participação no Campeonato do Mundo da categoria.
Ainda nesta perspectiva, Artur gaba-se aos quatro ventos, por ter organizado a FAF que, segundo ele, à sua chegada era uma autêntica bagunça, sem credibilidade nas mais altas estruturas da CAF e da FIFA. Da mesma forma ainda, revelou que, só apenas com a sua entrada na instituição é que esta foi reconhecida pelo órgão reitor do futebol mundial, tendo conseguido inclusive tirar a FAF de uma suposta “lista negra” e um consequente financiamento, trazido pelo próprio Gianni Infantino, para promover o futebol jovem, o futebol infantil e alavancar o antigo projecto de construção de um centro de treinamento das selecções nacionais jovens, que ficou apontado no antigo Campo do S. Paulo.
Aos poucos, Artur foi esgrimindo os seus argumentos que de uma forma inteligente, servem de defesa e, quiçá, em fase de pré-campanha, lhe podem conferir imagem limpa e visibilidade notável. Sendo isso, por si só, uma fuga para frente em relação aos possíveis candidatos de peso que, segundo se alude nos bastidores, pensam enfrentar ainda assim, o “Rei” Artur.
Numa altura em que a principal prova do nosso futebol se encontra bastante competitiva com, pelo menos três concorrente na luta pelo título, requerem-se, por parte da FAF, atitudes consentâneas com o fito de acompanhar a dinâmica e “vestir-se” dos novos paradigmas para, tal como tem sido por vezes apanágio, não destoar nem complicar.
Por fim, o conselho é que esperemos a luta nas urnas. As expectativas são de que agora, as APF’s e clubes que, de resto constituem a população votante, estão, para já muito mais atentas, informadas e com “olhos bem abertos”, para poderem enxergar o melhor programa, a melhor proposta e os melhores argumentos, para convencer quem vive o futebol na pele, no corpo e no coração.
Com tudo isso, há mesmo motivos para dizermos que as eleições irão verdadeiramente aquecer a FAF. Moraias Canãnua