Minjud sob fogo cruzado

O ano de 2019 termina com as "contas reservadas" no Ministério da Juventude e Desportos. A direcção liderada por Ana Paula Sacramento Neto não foi capaz de responder à forte demanda de solicitações das Federações Nacionais, que desejavam ver cumpridas as dotações financeiras estipuladas no Orçamento Geral de Estado.

O ano de 2019 termina com as \"contas reservadas\" no Ministério da Juventude e Desportos. A direcção liderada por Ana Paula Sacramento Neto não foi capaz de responder à forte demanda de solicitações das Federações Nacionais, que desejavam ver cumpridas as dotações financeiras estipuladas no Orçamento Geral de Estado.

Em meio a agitação das associações desportivas, o Ministério da Juventude e Desportos tinha as mãos atadas. A entidade responsável pela disponibilização das verbas, o Ministério das Finanças, também não tinha a autorização. A aprovação tardia do Orçamento Geral do Estado condicionou a distribuição do dinheiro.

Diante dos factos, as Federações Angolanas de Futebol, Andebol e de Basquetebol e o Comité Paralímpico Angolano foram os que mais gritaram. Os presidentes Artur Almeida, Pedro Godinho e (o demissionário) Hélder  da Cruz “Maneda” tiveram de recorrer às fontes alternativas para levarem as selecções aos campeonatos africanos e mundiais. O dinheiro disponibilizado pelo Estado foi insuficiente para cobrir as despesas.

O secretário-geral do Comité Paralímpico Angolano, António da Luz, veio a terreiro anunciar o cancelamento da realização da Taça Sayovo por falta de dinheiro. A prova agendada para o mês de Março ficou no papel pelo terceiro ano consecutivo pela mesma razão.

O Minjud absorveu outros confrontos. As Federações de pequeno porte tiveram de se contentar com o pouco dinheiro. Algumas adiaram as participações nos campeonatos africanos e mundiais.

O pagamento de prémios também mexeu com o Ministério. As selecções nacionais de andebol, desportos náuticos, lutas e jiu jitsu vieram a público reclamar os prémios consagrados na lei angolana. Em resposta, ficou a garantia de pagamento às selecções de andebol. Sobre os desportos náuticos e jiu jitsu, os dinheiros já foram movidos das contas.

A ministra da Juventude e Desportos cumpriu um programa de constatação das infra-estruturas desportivas em todo o país. Ficou a garantia de recuperação, e apetrechamento das da Huila e de Cabinda. Os Estádios dos Coqueiros em Luanda, O\'mbaka, em Benguela e Tundavala, no Lubango, há a promessa de beneficiarem de pista de tartan. Uma das vozes prometedoras foi a presidente da Confederação Africana de Atletismo.

Altos e baixos marcam época

O tiro nacional conheceu momentos altos e baixos ao longo da presente época desportiva. A realização de um considerável número de provas do campeonato nacional de Fosso Olímpico e a ausência de maior parte de atiradores, em consequência da subida de preços de cartucho e de pratos no mercado nacional, marcaram o ano de 2019.

Apesar das contrariedades, os atiradores nacionais afectos aos clubes do 1º de Agosto, Interclube, Força Aérea Nacional, Clube de Tiro e Caça do Lubango, Socolil e Clube de Tiro caça e Pescas de Benguela fizeram o melhor para não baixarem os níveis de precisão sobre o alvo em movimento. Os atletas têm em vista os objectivos de Angola lograr uma presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

O campeonato nacional de Fosso Olímpico arrancou com a disputa do GP Força Aérea Nacional no Campo do Regimento de Defesa Antiaérea, no bairro Cantinto, em Luanda. O evento esteve inserido nas celebrações do dia da Força Aérea assinalado a 21 de Janeiro.

O GP Polícia Nacional, marcado para Fevereiro e sob a égide do Interclube, para celebrar o dia da corporação, foi adiada devido a uma avaria nos equipamentos do fosso olímpico do clube anfitrião. Em causa estava estragos resultantes de uma descarga eléctrica (relâmpago).

O Campeonato Nacional de Fosso Olímpico fez disputar ainda provas em Benguela (Clube de Tiro Caça e pescas de Benguela), no Lubango (Clube de Tiro Local - Grande Prémio Paulo Silva e GP Socolil).

A Federação Angolana de Tiro e as distintas equipas contaram com os préstimos do Clube da Força Aérea Nacional no transporte dos atletas para os palcos da competição. 

Federação reactiva competições

 A realização dos campeonatos nacionais de ténis nas distintas categorias representou o maior alento para os atletas angolanos durante a época 2019. A modalidade viveu grande letargia nos últimos anos decorrente da escassez de meios e da falta de harmonia no seio dos agentes desportivos.A direcção da Federação Angolana de Ténis (FAT), liderada pelo presidente Matias Castro da Silva, realizou um trabalho aturado para inverter o actual quadro. A instituição tem sido boicotada por determinadas franjas da classe. A não cedência das instalações do Clube de Ténis de Luanda para a realização de provas nacionais, entre outras situações pouco abonatórias para o interesse do desporto nacional, constituem os exemplos. Para contornar os boicotes, a alternativa encontrada foi o aluguer dos “courts” do Centro Cultura Paz Flor, localizado na Corimba de Luanda. O palco acolheu a última edição da Taça João Nogueira e os campeonatos nacionais. As duas competições ficaram marcadas pela presença de atletas de Benguela, Huíla, Namibe e de Luanda.

As Associações provinciais apontam a falta de condições financeiras para o alojamento e alimentação em Luanda como a principal causa da ausência de grande parte das equipas nas provas nacionais. Os agentes reconhecem o esforço da actual direcção para que os atletas possam competir nas competições nacionais e internacionais.